segunda-feira, 28 de maio de 2018

"Não pense em crise , trabalhe"




Esse foi o primeiro lema do governo Temer em seu início após o golpe parlamentar em 2016.

Esse lema é sempre proferido pelos neoliberais e o restante da direita quando ocorre algum movimento de mobilização puxado por movimentos sociais e sindicatos que tenha a luta por direitos dos trabalhadores e melhores condições de trabalho como pauta.
"Não pense em crise , trabalhe" tem o mesmo significado que os donos de escravos; fazendeiros; exploradores de ouro/prata, pedras preciosas; capatazes e capitães do mato diziam para os escravos. Passa a ideia de aceitação da sua precária condição de vida, e de que você não tem como fugir disso.

Imagine se ao longo da história esse pensamento fosse colocado em prática ou não questionado, que mundo teríamos hoje? Teríamos ainda escravidão, sem direitos sociais, sem liberdade, sem direito a voto para pobres e mulheres e sem condições mínimas de dignidade e sobrevivência.

Neste momento, em que o Brasil vive uma crise política e com uma greve de caminhoneiros, que desconfio sofrer manipulações políticas com interesses da direita radical e do próprio governo que aí está a ter as Forças Armadas como bengala para manter-se em pé, me veio a lembrança deste lema e da contradição política que vive hoje quem sempre usou dele como retórica para criticar a luta dos trabalhadores e explorados.

Sim, os caminhoneiros ( autônomos e pequenos empreendedores) são muito explorados pelo grande capital que pratica uma concorrência desleal, ao, por exemplo, manipular preço de frete. É preciso ter em mente que esse sistema de transporte lida como uma concorrência desigual e exploratória.

Talvez a categoria dos caminhoneiros represente o exemplo mais fiel dessa relação capital-trabalho do Séc. 21 em que a precarização é clara e evidente. Uma relação padrão entre grande empresário - pequeno empreendedor.
Assim, do jeito que é hoje, esse pequeno empreendedor sempre vai trabalhar, trabalhar e trabalhar, até morrer. Sem conseguir viver e usufruir do rendimento da venda do seu serviço subcontratado.

Então, a dinâmica do "Não pense em crise , trabalhe" prevalece exatamente dentro do setor. Que a categoria tenha a leitura sobre quem está de fato ao seu lado para não entrar de "boi de piranha" em uma luta de poder da dominante e divida elite brasileira.


sexta-feira, 9 de março de 2018

ONGs e grupos de apoio ajudam refugiados venezuelanos em Roraima



A economia da Venezuela colapsou e milhões de venezuelanos estão deixando o país em busca de melhores condições de vida em outros países. Por terra, as saídas são a Colômbia e o Brasil.
Em Roraima, a partir da cidade de Pacaraima, na fronteira, e Boa Vista, capital do Estado, receberam dezenas de milhares de imigrantes nos últimos anos. Em Boa Vista, muitos dos que não conseguiram entrar legalmente no Brasil estão vivendo em condições extremamente precárias. O governo de Roraima estima que 30 mil imigrantes da Venezuela vivam atualmente no estado, principalmente em Boa Vista e Pacaraima. 
 “Alguns conseguiram trabalhos fixos, na base da pirâmide, mas a maioria, no entanto, sobrevive de bicos. Aqui nas ruas, é usual agora encontrar dezenas de venezuelanos como pedintes, limpadores de vidros e com placas de ‘Preciso Emprego’, ‘Trabalho como Pedreiro’, ‘Faço Capina’ etc." – conta o escritor Edgar Borges, morador de Boa Vista, que também é editor do ‘Cultura de Roraima & Afins’, um site/blog que publica agenda cultura, crônicas, poesias e prosas de autores locais.
Em 2017, o Conselho Nacional de Imigração (CNIG) , órgão vinculado ao Ministério do Trabalho promoveu um levantamento que revelou o perfil sócio demográfico e laboral dos venezuelanos que vivem em Roraima, A pesquisa foi realizada pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello na Universidade Federal de Roraima (UFRR), por meio do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e com apoio do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).
No estudo foi revelada que naquele momento a maioria dos venezuelanos não indígenas vivendo em Roraima é jovem, possui boa escolaridade, tem atividade remunerada e paga aluguel para morar. Entre os que trabalham 51% recebem menos de um salário mínimo e 28% estão formalmente empregados. Muitos enviam ajuda financeira aos familiares que estão na Venezuela, e apontam a crise econômica e política como principal motivo para se deslocar.
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