segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

E Niemayer chorou...

Meus caros, no último domingo (16/12), assisti uma entrevista concedida pelo mais novo homem centenário do momento, Oscar Niemeyer, no programa Conexão D’ávila, da nova TV Brasil. Foi um dos raros momentos que assisti este gênio vivo brasileiro falar de uma forma tão sincera e pessimista. Niemayer se mostrou muito cético em relação à humanidade e principalmente ao Brasil. Um homem que sempre fez questão de divulgar seus pensamentos e construiu uma série monumentos, que colocam suas referências artísticas e ideológicas, mesmo de um jeito sutil e peculiar – memorial de JK em Brasília – ao conhecimento público. Hoje, parece carregar a tristeza de um sonho que não será realizado, que é de fazer uma sociedade justa e igualitária. Já li, ouvi e assisti diversos depoimentos de Oscar Niemeyer, ele sempre demonstrou preocupação com o desenvolvimento do Brasil como uma nação que pudesse oferecer condições mínimas de vida, como saúde e educação para seu povo. Observei a sinceridade no depoimento citado, quando ele faz referência das comemorações do seu aniversário, que foi no último dia 15 de dezembro. Não quis saber de homenagens nem festas, quer simplesmente conviver com seu trabalho e amigos. Fez uma citação da convivência que manteve com Darcy Ribeiro, de forma profissional e também na amizade que preservaram ao longo dos anos, tanto no exílio, quanto aqui no Brasil, nos mais diversos projetos como o Ciep e a Universidade de Brasília (UNB). Depois de conceber formas e linhas que maravilharam o mundo, trazendo o futuro para uma realidade presente, o arquiteto mostra seu desapontamento com o atual estado de coisas. Segundo ele, no Brasil, as pessoas pararam de pensar sobre como construir a sociedade do novo milênio. A educação é sua maior preocupação, pois é a única forma de inserir aqueles que são excluídos e vivem na miséria, sem qualquer tipo de perspectiva de vida. Ele citou emocionado, o caso de um menino que esmolava na porta de seu apartamento em Copacabana, ao qual ajudou, encaminhando-o aos cuidados de uma família amiga. Porém, o menino não conseguiu se adaptar e voltou novamente para as ruas. Para Roberto D’ávila, Niemeyer fez este relato com os olhos marejados e se calou por alguns segundos... Enfim, um momento que considero marcante partindo de alguém que personifica a história viva deste país, que fez monumentos que representam o sonho de um país forte e desenvolvido, mas que infelizmente não consegue ser um arremedo de nação.
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...