quarta-feira, 5 de março de 2008

A política do medo

Meus caros, todos sabem que o homem é um animal político, como dizia Aristóteles, e faz uso de estratégias nada convencionais para atingir seus objetivos. Parafraseando Thomas Hobbes digo isso de uma forma geral, tanto em relação ao convívio social quanto o político, principalmente. Na história da humanidade, a política do medo sempre é aplicada quando se esgotam os meios convencionais de persuasão pela via democrática. Fascistas e Nazistas fizeram isso muito bem na Europa, antes e durante a 2º Guerra, norte-americanos criaram o fantasma do perigo vermelho e recentemente na reeleição do ‘cowboy texano’, George W. Bush que empunhou a bandeira do terrorismo, evocando os atentados de 11/09. No Brasil, a política do medo foi utilizada em vários episódios eleitorais que chegaram mudar o curso de uma eleição.

Adversários em vantagem nas pesquisas, geralmente recorrem a esse subterfúgio. Quem não lembra de
Regina Duarte alardeando em 2002, os perigos de uma possível vitória do então candidato do PT, Lula. Para quem é mais ‘antigo’, basta relembrar o pleito de 1989, quando Collor foi eleito. Ficou marcada a declaração do então presidente da FIESP, Mário Amato, que disse ser um perigo para o empresariado brasileiro com uma provável vitória do mesmo Lula, pois poderia ocorrer expropriações de propriedades e com 800 mil empresários deixariam o país. Na esfera estadual, isso já aconteceu contra Leonel Brizola em 82, mas não surtiu efeito. O matreiro político gaúcho abocanhou o palácio Guanabara depois de sofrer intensa campanha das organizações Globo que o acusava de manter relações com a cúpula do jogo do bicho.

É interessante, e acho que isso já deve ter sido alvo de análise e estudos, a recorrência a este tipo de ‘tática’ e como isso é absorvido pela mídia. Agora estamos a porta de um possível conflito armado entre Colômbia, Equador e Venezuela. O medo torna-se retórica e é encampado pela imprensa. Existe um movimento por parte dos meios de comunicação brasileiros para criar uma animosidade entre Brasil e Venezuela, isso pode ser percebido na Revista Veja e no Jornal da Globo, editado e ancorado pelo ‘simpático’ William Waak.


Não posso também deixar de citar, o processo pré-eleitoral americano. Democratas e republicanos estão escolhendo seus candidatos para a sucessão do ‘cowboy’. No partido democrata a briga está acirrada e já apareceram indícios da aplicação da ‘Teoria do medo’ por parte de partidários da ‘encantadora’ Hillary Clinton. Recentemente foi espalhada uma foto pela Internet de seu oponente, Barack Obama, trajando roupas típicas de seu país de origem, Quênia, em que ficava bastante parecido com um militante talebã. Isso é nada mais do que propagar a desconfiança e o medo com o objetivo de relembrar novamente o 11/09. Isso, segundo analistas políticos é considerado usual e normal em se tratando conquista e sedução do eleitorado. Enfim, usar o terror com recorrência para angariar apoio é uma estratégia tão comum quanto pedir votos.

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