sábado, 24 de janeiro de 2009

Machado a 3x4 e o complexo de colônia periférica

Meus caros, Machado de Assis foi um daqueles escritores que sabiam usar de forma extraordinária, a sutileza para contar as futilidades e mazelas da sociedade carioca no período da chamada Belle Époque. Um Rio de Janeiro, então capital do país, que dava seus primeiros passos em busca do futuro presente. A referência européia ditava a urbanidade, costume e até a cultura.

Ao assistir a peça “Machado a 3x4”, encenada pelo Grupo Nós do Morro, fiquei maravilhado ao assistir à adaptação do O Alienista. O texto é redondo e dinâmico. A história do Dr. Bacamarte e sua paranóia de internar uma cidade inteira no hospício; é contada de uma forma bem-humorada e leve, com a música atuando como o elemento central da trama.

Machado a 3x4 mostra como o sentimento de colônia periférica, dominava a sociedade brasileira naqueles tempos machadianos. Não muito diferente de hoje, como sugerem alguns personagens da mídia nacional, que ainda insistem em pintar o Brasil como um país sem representatividade e importância. São como viúvas que choram aos tempos que nunca existiram, à espera de um futuro que nunca vai chegar, idolatrando as metrópoles da Europa, e principalmente da América.


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2 comentários:

Luiz Alexandre disse...

Realmente o trabalho dos grupo Nós do Morro é ótimo. E é a comprovação máxima de que tudo aquilo que é bom na arte está comprometido com aquilo que é verdadeiro, e o que é verdade jamais deixa de sê-lo. O que também é um bocado trágico, principalmente se olharmos par a história de nosso mundo e pensarmos que o conto foi escrito há muito tempo atrás. Seria bom que certas verdades desaparecessem nas páginas dos livros...

jacker disse...
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