quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O carnaval das sereias bombadas e o América do samba carioca


Meus caros, nesses dias de carnaval é difícil analisar algum assunto relacionado ao noticiário proposto pela grande mídia. Confesso que não tenho mais paciência, para curtir a festa profana. Aqui no Rio de Janeiro, a folia de Momo ganhou às ruas com o ressurgimento dos blocos. É um movimento legal e espontâneo, mas que vem sendo sabotado por alguns idiotas de plantão, que insistem em negativar a fanfarra popular e enaltecer a armação dos contraventores dos caça-níqueis. O desfile das escolas de samba foi transformado em uma exibição de personagens meteóricos e com prazos de validade curtos, como as bombas que as rainhas de bateria tomam para tornar seus corpos másculos.

A mídia exibe essas ‘beldades’ como um dos principais atrativos para ganhar audiência e aumentar às vendas nas bancas. Há tempos, que os sambas-enredo e seus autores ficam secundários. Isso sem falar nos passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, ritmistas, baianas e outros tantos, que merecem mais destaque do que as midiáticas bundas pré-moldadas.

Não há como negar que ‘mulher gostosa’ rende assunto, ainda mais em carnaval... Mas esses personagens já estão atravessando o samba. São todas iguais com silicone e pernas de atletas de 100 m rasos. A simpática Gracyanne Barbosa me fez lembrar a falecida Florence Griffith Joyner, americana medalhista de ouro nas Olimpíadas de Los Angeles-84. Vocês podem estar achando que estou com bronca de mulher bonita – não é isso! O problema é que os desfiles se tornaram chatos com a exibição de mulheres bombadas.

Quero deixar aqui, minha frustração por saber que o Império Serrano mais uma vez vai ser injustiçado com um possível rebaixamento. Uma escola com a tradição da verde e branco de Madureira, não pode acabar por se tornar um América – com todo respeito - do samba carioca.

Para encerrar, a foto de abertura dessa postagem é a capa da “Revista do Império Serrano 2009”, um material de qualidade que conta à história da escola; berço de gênios como Silas de Oliveira e Dona Ivone Lara. Realmente ficou bem legal com muito conteúdo.

3 comentários:

Luiz Alexandre disse...

Belo texto, amigo. Definitivamente quando um movimento cultural é absorvido pela indústria fica foda, perde a magia e a espontaneidade. O que nos resta, companheiro, são alguns pequenos lugares, que servem de refúgio àqueles que realmente o amam, seja no samba, seja no rock, o que for.

Claudio Nascimento disse...

Como um não apreciador do samba, do carnaval e de quase tudo a isso relacionado, a única coisa que me resta pensar é... "PÔ, PELO MENOS TEM MULHER GOSTOSA..."

hahahahaha

Cristiana disse...

Concordo com vc amigo.
Ah muito que o Carnaval virou indústria e o samba ficou a margem. Como disse o Luis Fernando Veríssimo, em artigo de O Globo, Escolas de Marchas, pq hoje já não se samba mais....se marcha preocupados com o tempo, com alegorias e silicones.

A impressão que se dá das mulheres bombadas é que são duras e, para sambar, tem que ter molejo...malevolência......rs

A festa do povo virou indústria para gringo ver...é pena!

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