segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A responsabilidade da notícia

"cavalo dado não se olha os dentes", será?

Meus caros, o caso da brasileira Paula Oliveira como todos sabem, ganha contornos diferentes da versão original, quando foi divulgado que a advogada fora agredida por militantes de um partido neonazista suíço, na cidade de Zurique.

Até o momento, as autoridades daquele país não confirmaram a veracidade do ocorrido. O caso ganhou tanta importância que até o chanceler Celso Amorim convocou o embaixador da Suíça para consultas. O fato é que o caso se revela um tanto confuso, quando se trata da prática de jornalismo investigativo e, sobretudo, na transparência da informação por parte das autoridades envolvidas. Já tem gente dizendo que a divulgação do ocorrido foi feita de forma atabalhoada, e sem compromisso com a apuração. O jornalista Rui Martins é bem enfático, ao afirmar que a TV Globo espetacularizou a notícia e acabou vendendo um peixe podre. Segundo Martins, toda mídia brasileira pegou essa onda e acabou dando barrigada.

É muito cedo ainda, para esse tipo de constatação. As investigações não foram encerradas, mas o episódio revela mais uma vez a dificuldade de cobertura de casos desse tipo em terras estrangeiras, quando se trata de casos policiais envolvendo brasileiros no exterior. A imprensa brasileira sempre se antecipa e se afoba. Informação é igual a cavalo dado, é preciso olhar o dentes e desconfiar. Sempre...

3 comentários:

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

André, acho que, nos dias de hoje, a notícia é sempre envolta pela casca do espetáculo. Ela ganhou os ares do lazer, que tanto Debord denuncia em seu "Sociedade do Espetáculo"..

Esse caso é inclusive de uma sutileza perigosa, porque faz crer que a mídia "acerta" em muitas notícias. O problema, no meu entender, não está muito no conteúdo noticiado, mas sim na forma estética da transmissão da notícia, que tem laços estreitos com o grande capital.

Abraços

A L I Á S disse...

Engraçado.
Eu aprendi na faculdade (ainda em curso) que a apuração é a alma da matéria. Sem ela, não existe fato jornalístico.
No entanto, o q se vê por aí é um show de anti-jornalismo.
E não é preciso ir para terras estrangeiras para que isso aconteça não.
Quem não se lembra do caso Isabella Nardoni. A mídia culpou o pai e a madrasta da menina antes de qquer laudo oficial.
E fez mais. Divulgou notícias erradas, falou muita besteira e não teve nem um mínimo de senso de assumir sua culpa no cartório mais próximo.
Todos os dias enfrentamos esse show de horrores da imprensa brasileira.
Uma pena!

Abraços!

Clara

Claudio Nascimento disse...

O que mais me chamou atenção foi o fato de que "os agressores" tinham letras bem bonitas...

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