segunda-feira, 30 de março de 2009

A história não acabou



Meus caros, em 1991 o bombardeio neoliberal começava da mesma forma que as bombas americanas rasgavam os céus do Kuwait e Iraque. A Guerra do Golfo marcou o início de uma nova era para a comunicação, principalmente na televisão. Em tempo real, acompanhávamos a marcha das tropas de Bush pai sobre o deserto escaldante forrado de petróleo. O receituário já começava a ser aplicado tendo a América Latina como laboratório. Argentina, Brasil, Bolívia, Venezuela, Chile, México e outros países não menos importantes, seguiam os preceitos do “Consenso de Washington”. Segundo Francis Furukawa era o fim da história. O mundo assistia à derrocada dos ideais de esquerda com a falência da antiga União Soviética, sob o comando do vendido Mikhail Gorbachev.

Ao ler o livro “foto de uma conversa Celso Furtado e Cristovão Buarque” um bate-papos entre duas figuras de destaque da intelectualidade brasileira fiquei impressionado com a contextualização daquele momento – 1991 - com o atual. Foi uma entrevista realizada pelo hoje Senador Cristovam Buarque com o professor e ex-ministro do planejamento Celso Furtado. A conversa gira em torno das aplicabilidades de uma economia, a partir de uma visão humanística. O desenvolvimento de um país e uma sociedade não se dá somente pela aplicação de receitas direcionadas por uma lógica do capital e do mercado. Celso Furtado fala disso ao questionar, o modelo de desenvolvimento brasileiro. Enfim, um registro interessante de 18 anos atrás que é bem atual.


3 comentários:

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Meu amigo André: acho que o Celso Furtado é um cara que buscava solução para o capitalismo dentro do próprio. Penso que o Marx, assim como outros, já demonstraram, no debate teórico (do qual Furtado participou, de certa maneira), que o capitalismo se alimenta de suas próprias contradições, para continuar reproduzindo o que de pior temos em nossa "natureza" humana: a selvageria e o Bem-do-EU, oposto ao bem comum.

O Cristovam Buarque é um defensor da educação técnica, o que também não me agrada. Prefiro mil vezes o Darcy Ribeiro...

Agora, inacreditável mesmo é ver o Bial dizendo: "agora a bandeira da URSS é apenas (!!!) isso: história". Apenas isso... Espero chegar aos 50 anos sem dizer asneiras como essa.. Tinha que acabar mesmo no Big Bosta...

Abração

André Lobão disse...

Caro Marcelo,
considero Cristovão Buarque uma das grandes almas brasileiras, mas fico um tanto decepcionado com sua atuação no senado.Parece que o sistema engoliu o cara!Está associado a essa letárrgica política brasileira dominante do cerrado planaltino. Acho que o Prof. poderia ser mais incisivo na defesa dos projetos em prol da educação.Quanto ao tecnicismo, não tenho como me aprofundar, até por falta de embasamento para isso. Em relação a Darcy Ribeiro, ele sempre sempre uma referência por sua história e trabalho.Futuramente quero disponibiliar neste blog depoimentos em vídeo deste grande brasileiro.
Quanto ao vídeo do Bial, achei interessante pelo tom que ele empreendeu, parecia noite de paredão na porcaria do BBB. Nesta postagem, eu quis traçar um paralelo, contextualizando esses 18 anos de diferença em que o neoliberalismo foi considerado uma verdade absoluta, e até mesmo uma religião. Furukawa se ferrou...A história continua.

Obrigado Marcelo pelo seu comentário e participação.

Um abraço!

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Com certeza, André. Não é que eu não goste da pessoa do Cristovam Buarque.. acho apenas que ele entende a educação por um viés que é sutilmente improdutivo para ela-própria-educação.

Acabei de fazer um texto sobre o tema da educação técnica e a forma como os governos federal e estadual do Rio tratam a questão, como uma religião, uma metáfora que estou roubando de você aqui..rs

Estamos sempre nessa, conectados na importância de debater questões para além do banal.

Abração

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