terça-feira, 17 de março de 2009

Quando a redação vira um canavial


Meus caros, ao abraçar e escolher o jornalismo como meio de vida e profissão, eu tinha em mente poder contribuir de forma real e pratica para a sociedade. Aprendi que a informação é um bem de interesse público, e, portanto, assumi meu compromisso de agente social em propagá-la com isenção e verdade. Teoricamente, a conduta de um jornalista deve ser primada pela ética e, sobretudo, em valorizar e dignificar o exercício da profissão. Isto, segundo os preceitos do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Mas sabemos que a realidade nunca reflete aquilo que seria ideal e certo, conforme somos instruídos e educados ao longo de nossas vidas e principalmente, nos bancos acadêmicos.

O que constrói o mundo real do jornalismo é um mercado competitivo e precarizado, essa é uma situação que infelizmente é cada vez mais comum nas redações. São profissionais que trabalham em desvio de função, exercendo atividades jornalísticas, mas sendo enquadrados em carteira como assistentes e auxiliares de qualquer outra coisa que não seja jornalista.

Não vou aqui citar empresas que fazem isso com freqüência, nem também dar nomes de colegas que se sujeitam a isso, contrariando o artigo 10 do código, que versa sobre o que o jornalista não pode: aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com tabela fixada pela sua entidade de classe.

Acho que o pessoal do sindicato precisa sair a campo para fiscalizar a situação legal dos profissionais, que na maioria das vezes estão trabalhando sem registro e formação completa em jornalismo. Tem muito “trainee” e “estagiário” com mais de quatros anos de formatura no pelourinho de muitas rádios, tevês e jornais.

Na verdade, são poucas as empresas que cumprem corretamente à legislação. Assim como são poucos, os profissionais que conseguem ter seus direitos respeitados e reconhecidos. Trabalham em dupla jornada, sem pagamento de extras, além de não folgarem em fins de semana.

Recentemente, o sindicato apareceu no noticiário ao corroborar o acordo realizado entre o Infoglobo e os jornalistas, que agora vão ter cartão de ponto – nada mais justo para quem trabalha corretamente – e podem posteriormente reclamar em juízo horas a mais trabalhadas. Corretíssimo! Vale o escrito, não o de boca...

PS. Essa foi minha postagem de número 200º

3 comentários:

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

André, um livro que marcou minha formação em jornalista foi o "Ilusões Perdidas", do Balzac. Dentre outras coisas, o romance mostra o quadro do surgimento do jornalismo na França do século XVIII, e como a prática jornalística já nasce ideologicamente comprometida com o discurso do poder.

Concordo plenamente que se possa fazer um trabalho honesto e ético dentro da profissão. Mas acho que esse comportamento, nas poucas vezes em que ocorre, reflete um pensamento maior do que o do jornalismo enquanto veículo de circulação de informações. É de cada profissional, em seu repertório particular.

Abração e parabéns pelo texto 200.

Luiz Alexandre disse...

Pobres de nós, operários da mídia.
Quando não estamos não trabalhadores de canaviais somos como funcionárias de bordéis!

Faillace News disse...

Pois é, muita demanda e pouca oferta. Isso não poderia, claro, acabar bem. E não é com o jornalismo não, quase todas as áreas se incluem nesse pacote. No nosso caso, nem temos um órgão sério para cuidar dos nossos direitos... é a precarização total!

Parabéns pelo texto 200! Agora já dá pra sair o livro. Seus escritos estarão na lista dos mais badalados da comunicação.

Grande beijo!!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...