quarta-feira, 11 de março de 2009

Ronaldo e a Indústria Cultural

Meus caros, segue um excelente texto do colaborador Douglas Habibe sobre um fenômeno de mídia bem atual.



O maior frasista da dramaturgia brasileira, Nelson Rodrigues, certa vez sentenciou "ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina". É exatamente essa a impressão que fica em relação ao noticiário sobre Ronaldo dito Fenômeno.

Nunca questionei suas conquistas e méritos, mas a sensação é que, em se tratando do tal R9, tudo tende a certo exagero. De quem era esperado um mínimo de serenidade, sobram hipérboles. Um gol e alguns minutos em campo foram suficientes para decretarem em tom uníssono: Ronaldo está de volta.

É certo que o atacante brasileiro construiu em torno de si uma mística indelével de fênix futebolística. Pelo menos em campo, seu nome segue indestrutível. Os momentos de baixa são apenas suítes para os louros de um apoteótico retorno. Ainda que a saga ronaldiana não seja bem assim. Tanto no Real Madrid quanto no Milan, Ronaldo teve começos promissores, mas jamais conseguiu emplacar. Ora culpa das contusões, ora culpa dos prazeres da vida.

É claro que nenhum dos nossos coleguinhas jornalistas ousará ir na contramão. Tudo bem, cada um tem o direito a cultuar a mística alheia. Para quem está tão habituado ao bisturi quanto Ângela Bismarck, são mesmo feitos notáveis. Vejam o caso dos Estados Unidos, que só conseguiram exportar e fazer valer sua identidade como nação graças a Hollywood e aos filmes Western. Ronaldo e seu misticismo também são produtos da Indústria Cultural, assim como é quem vos escreve. E a Indústria Cultural engole todo mundo, não tem como ou para onde fugir.

Não parece, mas é. Beckham e Ronaldo são produtos do mesmo sistema

Numa definição ridiculamente simplória para o leitor pouco habituado aos conceitos da teoria da comunicação, a Indústria Cultural seria um dos tentáculos do "sistema" para conversão de produção cultural em mercadoria e dominação de classes, graças à mão amiga dos meios de comunicação e aos formadores de opinião.

Para os dois mais notáveis estudiosos do tema, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, a quantidade cavalar de informações e as "diversões assépticas" despertam e idiotizam o homem. Otimistas, achavam que cedo ou tarde a sociedade despertaria. Notavelmente, não houve qualquer sinal de despertar até agora. Adorno e Horkheimer, completamente decepcionados com o homem, reveram alguns conceitos e hoje são desdenhados por parte dos acadêmicos de inclinação liberal (e por tantos outros com o pé no marxismo).

Basta dar uma passeada pelas manchetes dos diários esportivos para notar que o esclarecimento está cada vez mais distante do homem.

Quanto ao retorno triunfante do dito Fenômeno, prefiro aguardar as cenas do próximo capítulo.

Preferencialmente, passando ao largo do noticiário esportivo.

4 comentários:

Daniel Santiago disse...

Lobão, me desculpa, mas achei o texto do colaborador fraquinho. Ele não falou nenhuma novidade. É claro que a mídia está usando o caso do Ronaldo. Ele é uma celebridade, faz parte. Mas se existe o lado negativo, também existe o positivo. Ao explorar a volta dele aos gramados, a mídia cria um símbolo, alguém que serve de exemplo. Não é a primeira vez que ele sofre uma lesão grave e tenta voltar. Na outra vez, ele voltou e levou a seleção ao título da Copa do Mundo. É um exemplo de superação e de persistência. E exemplos assim fazem bem.

A L I Á S disse...

Vou ter q discordar do "comentarista" acima.
Achei a reflexão sobre o fenômeno em que transformamos Ronaldo bastante interessante.
Eu fico me perguntando: qdo é q um gol de cabeça, resultado de uma cobrança de escanteio, ia virar pauta durante semanas?
Esqueceu-se até do resultado do jogo. Um mísero empate de um jogo sem graça.
Ronaldo joga bem? Ok. Até joga. Mas não jogou.
E aí, a indústria, que como toda indústria, precisa de produtos para serem vendidos, enlata mais essa e nos enfia goela abaixo.
E aí, até a gente que não acha essa história gde coisa, fica aqui discutindo o gol do moço!

Carol Bonando disse...

Não vou ficar aqui dizendo se gostei ou não.
O que quero dizer agora é que o Ronaldo está me enchendo o saco.
Estava ontem tomando uma michelada, curtindo o som ambiente com a galera, de repente o Ronaldo encostou na bola, contra o Santos e adivinhe? A televisão deu o maior grito!!! Os canais todos gritam em meus ouvidos: VIVA RONALDO, ELE ESTÁ GORDO MAS ESTÁ VIVO, E AINDA TOCA NA BOLA E AINDA FAZ GOLS, E AINDA VIVE, ELE RESPIRA, ELE VIVE, ELE TOCA, ELE ESTÁ GORDO MAS SUSPIRA, COSPE E TOCA NA BOLA!
Estou muito de saco cheio de saber dos passos desse jogador. Ele era um arteiro do futebol, aprontou boas e loucas no campo, agora é um artista de talkshows, que logo morrerá se não fizer o que os telespectadores e os manipuladores de plantão exijam que ele faça.

Carol Bonando disse...

Não vou ficar aqui dizendo se gostei ou não.
O que quero dizer agora é que o Ronaldo está me enchendo o saco.
Estava ontem tomando uma michelada, curtindo o som ambiente com a galera, de repente o Ronaldo encostou na bola, contra o Santos e adivinhe? A televisão deu o maior grito!!! Os canais todos gritam em meus ouvidos: VIVA RONALDO, ELE ESTÁ GORDO MAS ESTÁ VIVO, E AINDA TOCA NA BOLA E AINDA FAZ GOLS, E AINDA VIVE, ELE RESPIRA, ELE VIVE, ELE TOCA, ELE ESTÁ GORDO MAS SUSPIRA, COSPE E TOCA NA BOLA!
Estou muito de saco cheio de saber dos passos desse jogador. Ele era um arteiro do futebol, aprontou boas e loucas no campo, agora é um artista de talkshows, que logo morrerá se não fizer o que os telespectadores e os manipuladores de plantão exijam que ele faça.

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