domingo, 5 de abril de 2009

Pornografia: a arte da nova moral

Meus caros, um dia desses estava a conversar com amigos e bebendo algumas cervejas. Invariavelmente um papo de bar rola em torno de futebol e sexo. Vocês podem até estranhar essa minha postagem num tom tão formal, mas o papo surgiu a partir da leitura que estou fazendo do livro “A mulher do próximo” de autoria de um dos precursores do new jornalism, Gay Talese. A mudança de comportamentos e dos costumes sexuais na sociedade americana, após o fim da Segunda Guerra Mundial é retratada na forma de um romance com nomes e fatos reais. O sexo passou a ser publicizado e encarado como nicho editorial nos anos 1950, e ganhou peso com o lançamento de Playboy. Seu criador, Hugh Hefner, pode ser considerado o grande “Papa” da pornografia.

O mercado editorial de revistas masculinas pode ser dividido em antes e depois de Hefner. Não sei se é muita pretensão da minha parte, mas será que podemos encarar à pornografia como uma arte? No início do cinema, tudo era autoral e experimental. As produções eram encaradas como arte, mas e depois da Playboy, a partir de 1953, ano de lançamento da revista, o que mudou no conceito desse tipo de obra?

Nessa mesma mesa de bar, em companhia de amigos como Roger Aniallo e do nosso colaborador Luiz Alexandre, foi discutido se a pornografia pode ser considerada um produto alienante atualmente. O surgimento dessa liberdade sexual teve naquela época um viés até político, pois se colocava em contraponto ao conservadorismo e marcathismo predominante na sociedade americana, em tempos de caça às bruxas e Guerra Fria. Ao ler Talese tenho essa sensação e questiono, como essa liberdade sexual é hoje explorada e publicizada em tempos de internet. Sempre foi vulgar, se tornou amoral ou hoje é uma moral?



3 comentários:

Luiz Alexandre disse...

Repito o que disse: essa suposta amoralidade criou uma moral invertida, sob certos aspectos tão cretina e alienante quanto a outra, embora de uma outra maneira. Se antigamente a pessoa, principalmente a mulher, achava que devia fazer sexo com apenas uma pessoa e , de preferência, depois do casamento hoje em dia existem mulheres que acham que devem transar com todo mundo. Se antigamente as pessoas transavam no escuro hoje em dia elas filmam e expõe na internet. Existe um simulacro de libertação sexual que as pessoas acham que é o verdadeiro barato. Não vou negar que, sob uma série de aspectos, isso trouxe avanços, você tem mais liberdade pra discutir o sexo, os papéis sexuais, o que seria o certo e o errado, mas também trouxe umas ideologias imbecis pra burro. As pessoas estão sempre em busca de um grande fodão, sem se preocupar com os excessos, aliás, o excesso é que é o barato. Enfim, que venham os outros comentários. Abraço!

Claudio Nascimento disse...

Essa mudança cultural (isso mesmo, cultural) em relação ao sexo eu vejo como natural. Levou, sei lá, 500 anos, mas poderia ter levado 5000. Fato é que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. A tecnologia permitiu isso e permitirá cada vez mais. Há 20 anos atrás jamais passaria pela minha cabeça ver artistas fazendo filmes adultos. Hoje isso já não surpreende.

Todos curtem ver um filminho, receber aquelas fotos por e-mail... quem não ficou curioso em ver o filminho da ex-BBB9???

O ser humano é um voyer por natureza, basta olhar pra história da humanidade. O que cada um faz ou deixa de fazer pertence a eles mesmos (e se eles querem tornar público...).

Somos livres pra consumir ou não a pornografia. Se há tanto interesse comercial pelo assunto é porque há tb quem compre.

É física pura: TODA AÇÃO PROVOCA UMA REAÇÃO!!!

André Lobão disse...

Opa!!! O que vc quis dizer com isso, Claudio?rsrs... Falando sério, a fantasia faz parte da natureza humana, e, o sexo, talvez seja a maior representação dessa característica.A discussão que eu levantei nessa postagem é essa coisa louca, da apropriação de discursos, obras e comportamentos que o capitalismo faz. Daqui a pouco vai ser o quê? Já tem assessoria de imprensa para festas intimas, basta que tem até festa Ploc: http://meudiarioswing.blogspot.com/2007/12/festa-ploc-swing.html

Um abraço! Sem maldade...

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