domingo, 9 de julho de 2017

Um Rio que se perde no medo

Imagem: Agência Brasil

A confusão de São Januário somada à rotina diária de violência com mortes por execuções, bala perdidas, e hoje um tiroteio quase na porta de casa me dá uma sensação de terra arrasada. A cidade e o Estado do Rio de Janeiro talvez vivam a sua pior crise, não adianta achar que está tudo normal.
Temos um prefeito que claramente não governa com a intenção de integrar a cidade, apesar de suas diferenças sociais históricas. Além disso, um governador inapto que vive sem saber o que fazer diante do caos financeiro do Estado que não consegue pagar o salário do funcionalismo.

A crise econômica obviamente faz acelerar esse processo de terra arrasada, pois é nítida a quantidade de pessoas que se acotovelam em partes da cidade para vender qualquer coisa para sobreviver, isso é o custo do desemprego, falta de renda e falta de perspectiva.
Aí oportunistas acham que todo esse caos se resolve com criminalização de pobres, favelas e viciados. "Precisamos armar o cidadão, proteger quem é do bem", mas daí vemos o caso do 7° batalhão de São Gonçalo com 95 PMs presos por associação com tráfico, e exigindo de traficantes pagamento de propinas mesmo que os valores fosse advindos de assaltos.

Antes de escrever esse texto fui à rua comprar uma cervejinha para beber em casa, e vi que não tinham pessoas na rua. O botequim que vive cheio em domingo de futebol na TV estava com poucos gatos pingados. Talvez esse seja o sinal mais claro da crise no Rio, o boteco vazio.


O desânimo é nítido nas pessoas e você percebe isso quando utiliza o ônibus, trem, metrô, táxi, Uber e outros transportes. É o passageiro que olha somente para o seu smartphone; o usuário do metrô triste e cabisbaixo na sua falta de espaço do vagão entupido de gente; motoristas que sonegam corridas ao aplicativo e taxistas que lamuriam a falta de passageiros.
Assim segue a vida da cidade que tinha na descontração uma das principais características do seu povo. Hoje restam somente a desconfiança e o medo.


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