sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Movimentos separatistas: o capital adora


Para quem leu alguma coisa sobre a história da América Latina sabe que foi de pleno interesse para os capitalistas ingleses a fragmentação da região em vários países a partir dos movimentos de libertação da Espanha no Século XIX. O sonho da chamada ‘Pátria Grande’ de Simon Bolívar não agradou as elites colonialistas da Patagônia ao México, que preferiram manter seus luxos e comodidades custeadas pelos novos países à custa da exploração do povo.

Aqui no Brasil muito se fala de um movimento de secessão dos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), assim como do Estado de São Paulo. Aliás, o Sul com a sua Revolução Farroupilha (1835/1845) é um exemplo desse movimento de fragmentação que cito no início do texto. Nesse caso, ao contrário de outros processos como da formação de países na época, o plano do imperialismo inglês fracassou e a revolução foi derrotada por Pedro II e seu cão raivoso, Duque de Caxias, que seria mais tarde o comandante da carnificina na Guerra do Paraguai (1864/1870).

Essa fragmentação de estados nacionais sempre interessou ao capital internacional. A 1ª Guerra Mundial foi também um exemplo dessa tática , assim como a 2ª Guerra, e tantos outros conflitos armados no Oriente Médio, Coréia e Vietnam. O conceito de fragmentação aplicado a esses estados “libertos” os torna dependentes econômicos e financeiramente do grande sistema.

Dependendo do novo país não há recursos, infraestrutura e possibilidade de sustentabilidade econômica. Os países da África fragmentada mostram isso de uma forma bem nítida quando o continente que era dividido em protetorados europeus se tornou independente e vivem há anos entre guerras e extrema pobreza, e tendo seus recursos naturais sugados pelas multinacionais.

A queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da URSS (1991) também representaram uma verdadeira festa para os senhores do capital. A desintegração da chamada ‘Cortina de Ferro’ propiciou a criação de diversos estados nacionais e guerras como aconteceu na Iugoslávia (Eslovênia, Macedônia, Sérvia, Montenegro, Bósnia, Croácia) e países bálticos (Letônia, Lituânia e Estônia) e Kosovo que fazia parte da Albânia.

Neste momento surgem movimentos separatistas na Espanha e Iraque, a partir da independência da Catalunha e criação do Kurdistão. É óbvio que todo povo de determinada região que se sinta oprimido ou não tenha seus direitos reconhecidos por um estado central, tenha pleno direito de manifestar seu descontentamento e desejo na busca de uma vida melhor, por suas próprias pernas.

Mas a história prova que ao longo dos anos esses movimentos separatistas acabam por serem manipulados em razão de interesses que não estão nem um pouco preocupados com a realidade dos povos que ali lutam por sua independência e liberdade. Na verdade, o capital, como um predador, fica só de olho na sua próxima vítima para sugar seus recursos e explorar inocentes úteis.
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