sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O Brasil Colônia referência de Cesar Maia e a educação neoliberal de Jabor


Nesta semana, a partir de um texto de Cesar Maia e um podcasting do Arnaldo Jabor faço uma reflexão sobre a conjuntura e contexto político de hoje do Brasil e do mundo.
Do ex-prefeito do Rio de Janeiro, ex-socialista, ex-brizolista, exilado político abrigado pelo Chile de Allende , e hoje neoliberal e pai de Rodrigo Maia, atual “CEO” do governo Temer, Rodrigo Maia, leio e reflito sobre um texto relativo a crise da Catalunha conforme este fragmento:
Os gravíssimos problemas enfrentados pela Espanha, hoje, com a busca pela independência da Catalunha, teriam sido evitados se desde os anos 1500, Espanha tivesse aprendido com Portugal” - diz, expressando sua convicção no modelo colonialista português que trouxe para o Brasil Colônia quase 6 milhões de escravos.

Sobre isso, existe uma pesquisa das universidades de Emory (Atlanta-EUA) e Hull (Reino Unido) conduzidas pelos professores David Ellis e David Richardson, que em 12 anos examinaram os registros de 35.000 viagens marítimas de tráfico de escravos da África para as Américas, pelos diários de 5.200 navios pesquisados, chegando a conclusão que o papel comercial do Brasil/Portugal no negócio da escravidão negra é muito maior do que se pensava.

O ex-alcaide carioca expressa assim seu entendimento de que o modelo colonista de Portugal, pilhador de recursos, exterminador de indígenas e escravagista pode ser considerado referência para a atual crise espanhola.

No século 18, Marquês do Pombal, poderoso primeiro ministro português, imprimiu independência econômica em relação à Inglaterra, desenhou a hipótese do Rei de Portugal ter que vir para o Brasil num momento crítico, o que ocorreu uns 40 anos depois, com a invasão napoleônica E foi mais longe. Entendendo que as regiões dirigidas pelos jesuítas caracterizavam territórios autônomos, expulsou os jesuítas, no que foi acompanhado pela Espanha. Unificou as relações do Brasil com Portugal, que eram dívidas com o Grão – Pará que atuava com autonomia de regras em relação ao restante do Brasil. Proibiu que se falasse, além do português, o Tupi e Guarani, que eram falados por mais da metade dos brasileiros e da mesma forma agiu em relação às línguas africanas. Ainda no século 19, parte significativa da população de São Paulo e Mato Grosso usava o Guarani como sua língua, o que foi reprimido” - discorre, em texto publicado em 25 de outubro, último no 'Ex-Blog do Cesar Maia'.


Então, a partir dessa leitura histórico colonialista do pai de Rodrigo Maia entende-se um pouco a lógica da elite política do Brasil ao ter como parâmetro o legado do patrimonialismo português.

Já para o povo catalão que vive o orgulho de sua cultura e conservação da sua língua mãe, que sobreviveu aos Bourbons e a Ditadura de Franco, esse texto de Cesar Maia não pode ser relevado pois remonta uma infeliz referência histórica que marcou a origem do Brasil em sua formação como nação. Um país que não consegue curar suas cicatrizes ainda abertas, visto que viva hoje o auge de suas contradições sociais, situação há tempos esquecida pelo ex-prefeito carioca que hoje só enxerga a lógica do mercado.

Posto o pensamento do “Cacique Maia”, avancemos ao que disse o folclórico , ex-cineasta e reacionário Arnaldo Jabor que comenta sobre um levantamento feito pela Unesco que revela a existência de 13 milhões de analfabetos nos Brasil. Em sua usual acidez Jabor afirma justificando o discurso neoliberal que relaciona o saber necessário para sobrevivência do indivíduo em função do mundo empresarial e o uso das novas tecnologias.

 “O analfabetismo funcional aqui é imenso, ninguém sabe nada na área de mão de obra especializada cada vez mais necessária ao mercado de trabalho” - diz Arnaldo, citando o modelo colonial da coroa portuguesa como responsável pelo fracasso da educação no Brasil.

Ambas análises se relacionam e contradizem, mas, no fundo, representam o mesmo conceito que bebe da fonte raiz do colonialismo explorador que expressa a necessidade de imposição de um modelo opressor. O neoliberalismo é sim a continuidade do velho colonialismo que sempre sugou recursos aqui no Brasil e na América Latina.

Arnaldo Jabor cobra política de educação contra o analfabetismo pela simples lógica de se ter disponível um indivíduo “preparado” para suprir os anseios do mercado na reprodução de seus ganhos. E Cesar Maia relembra umestado forte” que deveria ter imposto, como no Brasil colonial, um modelo que tivesse suprimido pela força e obscurantismo a cultura autóctone da Catalunha. Assim, se revelam tão paradoxais e consensuais em suas críticas.



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