quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Livre mercado para concorrente não pode! Comerciantes do Rio criticam regulamentação de food bikes





A instituição pelo Estado do Rio de Janeiro da Política Estadual de Incentivo e Fomento à Comercialização de Alimentos em Veículos de Propulsão Humana, tais como bicicletas, triciclos, carrocinhas e similares, mais conhecidos como 'food bike’, em projeto sancionado pelo governador Luiz Fernando Pezão, já provoca celeuma e revela as contradições neoliberais em seu discurso do empreendedorismo tão em voga hoje no Brasil, em tempos de retirada de direitos sociais.

Em um breve debate na manhã desta terça-feira (28) na CBN, “a rádio que toca notícia neoliberal”, entre Renato Barbosa, presidente da Associação Rio sobre Rodas (ARISOR) e Thiago Cesário Alvim, presidente do Pólo Rio Antigo mostrou o dilema. 

De um lado a defesa daqueles pequenos empreendedores que trabalham com suas bikes na venda de cervejas, refrigerante, salgadinhos, comida fitness e doces, e de outro os comerciantes tradicionais que possuem estabelecimentos e que alegam se sentirem ameaçados com essa possível concorrência a qual consideram desleal, pois o comércio sobre rodas pagaria menos impostos.


“Tentamos implementar parcerias com o comércio local, trabalhando de alguma forma com a segmentação de produtos, mapeando locais para não ser uma concorrência direta. Mapeamos pontos em parques, praças e jardins para tentar agregar valor ao comércio e ocupar devidamente o espaço público. Além disso não podemos comparar a estrutura de um food bike com a de uma loja física já estruturada” - explica Renato Barbosa.

A ARISOR foi criada por um grupo de empreendedores que juntos encontraram dificuldades para trabalhar nas ruas do Rio de Janeiro com suas respectivas food bikes. 

"Estão achando que vão acabar com o desemprego entregando tudo à informalidade"

Tiago Cesário Alvim que é proprietário do Carioca da Gema, tradicional casa da Lapa expressou sua contrariedade a regulamentação do comércio sobre rodas no Estado do Rio. “Os comerciantes veem com muita preocupação essa situação, pois estamos asfixiados com a crise, com os impostos e taxas que são altíssimos, falta de clientes e fiscalização. "Os governantes do Rio de Janeiro, município e estado, estão achando que vão acabar com o desemprego entregando tudo à informalidade, isso é um erro pois está matando quem paga tributos”- criticou.

O fato é que em tempos de endeusamento do mercado como solução para a crise o comércio carioca se mostra resistente aos chamados novos tempos da mesma forma que ocorre no conflito entre os serviços de transporte por carros feitos a partir de aplicativos como o Uber que concorrem com o serviço de táxi. É a chamada contradição entre a velha e nova economia em tempos de precarização e perda de direitos sociais.

Segundo o presidente da ARISOR existem 30 food bikes cadastrados na associação que realizam um rodízio em pontos do Rio de Janeiro a partir de áreas indicadas pela Prefeitura do Rio.

“Esse comércio nas ruas vai se somar àqueles que vendem quentinhas, bebidas até por máquinas de cartão de crédito e débito” - disse o presidente do Pólo Rio Antigo esquecendo-se de uma peça publicitária veiculada por um banco espanhol que diz que a nova carteira de trabalho do brasileiro é uma máquina de débito e crédito. Livre mercado feito por possíveis concorrentes é inaceitável? Ora que contradição!

O Pólo Rio Antigo é uma entidade criada em 2005 que reúne empresários e profissionais das áreas de cultura, lazer, gastronomia, turismo, comércio e serviço que atua nas áreas que abrangem Cinelândia, Lapa, Rua do Lavradio, Praça Tiradentes e Largo de São Francisco, agregando mais de 70 estabelecimentos, segundo informações disponibilizadas em seu site.

Com a regulamentação do projeto pelo Estado do Rio de Janeiro agora os municípios fluminenses terão que regulamentar a atividade e criar mecanismos de fiscalização.
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